Aberturas
A Abertura Italiana: o guia para iniciantes
Atualizado em 27 de jul. de 2026 · 5 min de leitura
Aprenda a Abertura Italiana (1.e4 e5 2.Nf3 Nc6 3.Bc4): as ideias, o Giuoco Pianissimo, a Defesa dos Dois Cavalos e o contra-jogo das pretas, com diagramas.
A Abertura Italiana é uma das mais antigas e populares do xadrez, e uma das melhores para aprender. Ela ensina os três princípios que valem para qualquer abertura: controlar o centro, desenvolver as peças e proteger o rei. Se você está começando, comece por ela.
Os lances iniciais:
A ideia por trás dos lances
Cada lance tem uma razão. Com 1.e4, as brancas ocupam o centro e abrem caminho para o bispo e a dama. 2.Nf3 ataca o peão de e5 e desenvolve um cavalo para uma casa ativa. 3.Bc4 coloca o bispo mirando f7, a casa mais fraca do lado preto no começo, porque só o rei a defende.
Os planos principais
Depois de 3...Bc5, as pretas espelham a ideia, e temos o "Giuoco Piano" (jogo tranquilo). A partir daí, as brancas têm dois planos clássicos:
- Plano lento (d3, c3, roque): montar um centro sólido e preparar o avanço d4 mais tarde. Seguro e posicional.
- Plano agressivo (c3 e d4 cedo): abrir o centro rapidamente e usar a vantagem de desenvolvimento para atacar.
Uma continuação típica do plano sólido:
O Giuoco Pianissimo moderno
Hoje, dos clubes até o nível mais alto, a Italiana quase sempre segue o caminho lento. Depois de 3...Bc5 as brancas jogam d3 em vez de d4 e deixam a tensão no centro de pé. A ideia é fácil de descrever e desconfortável de enfrentar: manter os peões em e4 e d3, terminar o desenvolvimento sem trocar nada e só abrir o jogo quando as peças brancas estiverem em casas melhores que as pretas. Esse é o Giuoco Pianissimo, o jogo bem tranquilo.
O plano tem uma sequência quase fixa. A partir do diagrama anterior, a continuação típica é 7.Re1 a6 8.Nbd2 Ba7 9.h3 h6 10.Nf1 Re8 11.Ng3. A viagem do cavalo de b1 para d2, f1 e g3 é a assinatura da variante: ele libera a casa d2 para o bispo de c1 e chega a g3, de onde apoia f5 e participa de um ataque no flanco do rei. Repare que as brancas não abriram uma única linha até aqui. É de propósito.
- Re1: reforça e4 e prepara a pressão na coluna e assim que o centro abrir.
- Nbd2, Nf1, Ng3: a manobra central do plano. O cavalo troca uma casa passiva por g3 ou f5 e desbloqueia o bispo de c1.
- h3: tira a casa g4 do bispo e do cavalo pretos e dá um respiro ao rei.
- a4: a resposta certa a ...a6. Impede ...b5, que ganharia espaço e expulsaria o bispo de c4 com tempo.
A Defesa dos Dois Cavalos (3...Nf6)
No lugar de 3...Bc5 as pretas podem jogar 3...Nf6. A diferença é de atitude. Com 3...Bc5 as pretas copiam as brancas, aceitam a simetria e apostam em manobrar melhor. Com 3...Nf6 elas ignoram a mira do bispo sobre f7 e atacam o peão de e4 na mesma hora, forçando as brancas a decidir cedo. Essa é a Defesa dos Dois Cavalos, e ela costuma dar uma partida bem mais concreta, com material em jogo desde cedo.
As brancas têm dois caminhos honestos. 4.d3 volta ao jogo lento e transpõe para as estruturas do Pianissimo. 4.Ng5 é o lance ambicioso: ataca f7 pela segunda vez e exige resposta imediata. E a resposta correta das pretas não é defender f7, é contra-atacar no centro com 4...d5.
A linha principal dos Dois Cavalos:
Depois de 5.exd5, o lance natural 5...Nxd5 é exatamente o que as brancas querem. Por isso a linha principal é 5...Na5: as pretas atacam o bispo de c4 antes de pensar em recuperar o peão. Elas ficam um peão atrás por um bom tempo, mas o cavalo de g5 fica sem função, o desenvolvimento sai rápido e as colunas b e d semiabertas costumam pagar o investimento.
Uma armadilha para conhecer
Quando as pretas capturam com 5...Nxd5 aparece a armadilha mais famosa da Italiana: o Ataque Fegatello (ou "fígado frito"), 6.Nxf7. O cavalo se entrega para arrancar o rei de e8 e empurrá-lo até e6 depois de 6...Kxf7 7.Qf3+ Ke6, onde ele fica preso no meio do tabuleiro com as peças pretas ainda em casa. Não decore a variante; entenda o mecanismo: duas peças em cima de um ponto defendido só pelo rei.
O contra-jogo das pretas
Jogar de pretas na Italiana não é esperar o ataque chegar. Três recursos aparecem em quase toda partida, e reconhecê-los muda a forma como você joga dos dois lados.
- O avanço ...d5: enquanto o centro branco for d3 e e4, o rompimento ...d5 é o golpe libertador das pretas, e ele quase nunca funciona de imediato. Prepare com ...Re8 e ...c6, e só então empurre. Um ...d5 prematuro abre linhas para quem terminou o desenvolvimento primeiro, e esse costuma ser o branco.
- A manobra ...Na5: o cavalo sai de c6 e ataca o bispo de c4, a melhor peça branca. Se as brancas não previnem com a4 nem recuam para b3, elas perdem tempo ou aceitam a troca. Com ...Nxb3 some do tabuleiro a peça que sustentava todos os truques em f7.
- O lance ...h6: mata Ng5 de vez e obriga o bispo branco a escolher entre recuar de g5 ou trocar em f6. Custa um tempo, mas em posição fechada tempo é barato: nas linhas com 3...Bc5 e d3, jogar ...h6 cedo quase sempre compensa.
A ordem importa mais do que a escolha: ...h6 antes que o cavalo alcance g5, ...d5 depois que as peças estiverem prontas. Invertida, a mesma dupla de lances entrega o centro e o rei.
Por que jogar a Italiana
- Ensina os fundamentos: centro, desenvolvimento e segurança do rei.
- Leva a posições naturais, sem exigir decorar 20 lances.
- Serve tanto para o jogo tranquilo quanto para o ataque afiado.
- É jogada de iniciantes a campeões mundiais, então cresce com você.